sábado, 23 de outubro de 2010

TEMA 1 - O PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO

Uma vez que optámos pela repartição das tarefas, o meu contributo pessoal para a construção da wiki da equipa Poirot passou por desvendar:

Quais as características de um bom problema de investigação?


Um problema de investigação é uma situação que necessita de uma solução, de um melhoramento ou modificação (Adebo in Fortin, 1996),surgindo do interesse e da necessidade do investigador em “fornecer conhecimentos úteis à compreensão e ao melhoramento da situação problemática” (Fortin, 1996).

Um problema de investigação deriva de uma situação problemática que o investigador identifica ao debruçar-se sobre um determinado domínio ou tema de investigação, e implica a estruturação de uma questão que orientará o tipo de investigação a realiza e dará uma significação à situação problemática previamente identificada (Fortin, 1996).

Parte-se de uma problemática para a elaboração de uma questão, e será essa questão a servir de pano de fundo à elaboração do problema de investigação.

Para que o problema de investigação seja devidamente formulado é fundamental que a questão de investigação seja precisa, que defina os conceitos em estudo e especifique a população visada.

Um bom problema de investigação consiste na elaboração de uma questão de investigação através de uma progressão lógica de argumentos e de factos relativos à situação problemática.

Seis elementos são necessários à formulação de um problema:
  1. Uma preocupação pessoal, uma irritação, como ponto de partida do problema de investigação.
  2. Os elementos de situação, ou seja, os factores que causam, influenciam ou mantêm o problema.
  3. O universo mais vasto no qual o problema está situado, o que outros estudaram e pensaram do problema.
  4. A situação desejável, isto é, a projecção de uma situação ideal, sem problema.
  5. A/as sugestões propostas para alcançar esta situação desejável e os resultados possíveis em relação a cada uma das sugestões.
  6. O quadro de referência para a formulação do problema e sua operacionalização.
No decurso da formulação do problema, estes elementos são reunidos, depois ligados uns aos outros e introduzidos no local apropriados no problema, adoptando o estilo da argumentação.

Em suma,


Um problema de investigação é aquele que desenvolve uma ideia através de uma progressão lógica de opiniões, de argumentos e de factos relativamente ao estudo que se deseja empreender, articulando-se com uma questão de investigação precisa, que pode ser estudada empiricamente e que tem relação com o domínio de interesse.



Quais as etapas a percorrer num processo de investigação?

O processo de investigação pode ser repartido em 3 fases:
  • Conceptual;
  • Metodológica;
  • Empírica.
Cada uma destas fases comporta determinadas etapas de trabalho. Estas etapas não são totalmente independentes umas das outras, visto que se sobrepõem de modo a permitir uma melhor clarificação do objecto de estudo.

A fase conceptual começa quando o investigador trabalha uma ideia para orientar a sua investigação. As etapas da fase conceptual são:
  • Escolher e formular um problema de investigação.
Nesta fase o investigador escolhe um tema que vai trabalhando até chegar a uma questão de investigação passível de ser estudada empiricamente. Pretende-se também que nesta fase o investigador reflicta sobre a pertinência da questão de investigação, o seu valor teórico e prático e as suas dimensões metodológicas e éticas.
  • Rever a literatura pertinente.
A revisão da literatura, para além de permitir determinar o nível dos conhecimentos face ao problema da investigação, permite também determinar os conceitos e as teorias que servirão de quadro de referência.
  • Elaborar um quadro de referência.
O quadro de referência define a perspectiva segundo a qual o problema de investigação será abordado, orienta a formulação das questões de investigação ou das hipóteses e determina a perspectiva do estudo.
  • Enunciar o objectivo, as questões de investigação ou as hipóteses.
O objectivo é um enunciado que indica claramente o que o investigador tem intenção de fazer no decurso do estudo. De acordo com o tipo de investigação formular-se-ão as questões (no caso de se tratar de um estudo exploratório ou descritivo) ou as hipóteses (no caso de estudos correlacionais ou experimentais).

Na fase metodológica, o investigador terá que:
  • Escolher um desenho de investigação.
O desenho de investigação é o plano lógico elaborado e utilizado pelo investigador para obter as respostas às questões de investigação e, para além do tipo de investigação a ser utilizado, especifica a forma como o investigador planifica o controlo das variáveis.
  • Definir a população e a amostra.
A definição da população tem como objectivos caracterizar a população estabelecendo os critérios de selecção para o estudo, precisar a amostra e determinar o seu tamanho. É necessário ter em consideração os conceitos de população alvo (referente à população que o investigador pretende estudar e que vai ser objecto das generalizações) e a população acessível (população que está ao alcance do investigador).
  • Definir as variáveis.
Esta operação permite observar e medir os conceitos.
  • Escolher os métodos de colheita e de análise dos dados.
Nesta etapa o investigador terá que proceder à descrição dos métodos de colheita de dados a utilizar e identificar os instrumentos de medição de variáveis do estudo (questionários, grelhas de observação, escalas de medida, etc.), referindo a sua fidelidade e validade.

Na fase empírica é posto em execução o plano de investigação elaborado na fase anterior. Nesta fase o investigador terá que:
  • Colher os dados.
Deve-se precisar a forma como se desenrola o processo de colheita de dados.
  • Analisar os dados.
Os dados são analisados em função do objecto de estudo.
  • Interpretar os resultados.
Após a análise dos dados, importa explicá-los de forma contextualizada com o estudo e à luz de trabalhos anteriores.
  • Comunicar os resultados.
Para que a investigação assuma a sua importância há que dar a conhecer os seus resultados. Para tal deve ser elaborado um relatório de investigação, uma memória ou uma tese onde estejam descritas cada uma das etapas seguidas. É também pertinente a divulgação do trabalho em conferências e revistas de carácter científico ou profissional.

No caso de se tratar de uma abordagem qualitativa, existem algumas etapas do processo de investigação que se efectuam de forma simultânea ou interactiva.

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Bibliografia

Coelho, Artur, (s.d.), Metodologias de Investigação em Educação Resumo, Consultado a 22 de Outubro de 2010 em http://www.scribd.com/doc/10057139/Metodologias-de-Investigacao-em-Educacao-Resumo


Fortin, Marie-Fabienne, (1999) O Processo de Investigação: Da concepção à realização. Loures: Lusociência.

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