sábado, 26 de fevereiro de 2011

Balanço final:

Foram estes os momentos que considerei representativos da minha participação na disciplina de Metodologias de Investigação em Educação ao longo deste semestre.

Se em Outubro me perguntassem se me achava capaz de elaborar uma dissertação de mestrado, responderia sem hesitar que sim. Hoje, o meu sim talvez seja mais hesitante mas é também mais consciente dos passos, dos processos, dos métodos e da responsabilidade que acarreta um trabalho de investigação.

O que mais gostei nesta Unidade Curricular:
Tema 1 – O processo de Investigação.
Gostei da temática e da forma como a actividade se desenrolou.
Tema 2 – Planear uma investigação.
Foi o meu primeiro olhar interessado pelo “mundo da investigação”; também gostei da forma com as actividades estavam encadeadas.
Da dinâmica e do bom ambiente de trabalho do grupo Poirot.

O que menos gostei nesta Unidade Curricular:
Do impasse que se gerou aquando da criação do guião de entrevista comum a toda a turma.
De alguns fóruns de participação desordenada.

Constato que, embora tenha feito o acompanhamento de todos os fóruns, acabei por não fazer tantas participações quanto desejava: umas vezes faltou-me o tempo para as preparar; outras a inspiração! Entre colocar informação redundante, ou que não introduz uma componente de novidade, e não participar no fórum, opto, por princípio, pela segunda.
Considero que devia ter tido uma colaboração mais activa no enriquecimento do marcador FONTES.

Sem sombra de dúvida, MIE é uma disciplina fundamental para quem pretende realizar um trabalho de investigação: apresenta-nos as teorias e dá-nos as ferramentas necessárias para iniciarmos o processo; contudo, sinto que muito ficou por aprender, pelo que nos resta continuar a investigar até que encontremos a resposta para as nossas necessidades.

Considero-me bastante afortunado por ter trabalhado com os meus colegas: Alexandra, Vanda e Alcino. Penso que desenvolvemos uma boa dinâmica de grupo e conseguimos “desatar alguns nós” com alguma facilidade.
Agradeço ao professor Luís Tinoca a disponibilidade e saber que partilhou connosco durante esta jornada.

Obrigado

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tema 4. Problemáticas de investigação

O trabalho desta tematica incidiu na Investigação Aplicada sobre o Desenho (design-based research) e teve como enunciado o seguinte:

1. Identifique e escolha um artigo sobre design-based research (DBR)que gostasse de trabalhar. Uma possível fonte pode ser o special issue The Role of Design in Educational Research ( http://edr.sagepub.com/content/32/1.toc ), mas podem escolher qq artigo que vos interesse sobre DBR.

2.Com base no artigo que escolheu, responda às seguintes questões:
    a) Quais os aspectos mais inovadores da abordagem apresentada?
    b) De que forma se relaciona com as abordagens tradicionais descritivo/qualitativo e/ou experimental/quantitativo?
    c) Que dificuldades antecipam na sua implementação?
    d) Quais as principais implicações/conclusões?
Nas linhas seguintes apresento as minhas respostas relativamente a esta temática.

a) Quais os aspectos mais inovadores da abordagem apresentada?

Os aspectos mais inovadores das DBR são :
  • a alteração do papel do investigador. O investigador surge como alguém que procura, não só perceber, documentar e interpretar determinada situação/contexto, como também alterar e melhorar práticas educativas;
  • a validação dos resultados atendendo aos contextos;
  • a investigação em contexto real. “Design-based studies take place in situ (…)”;
  • a participação activa de todos os intervenientes no processo. “(...) very close interaction between practitioners, researchers, experts, and other stakeholders is essential.”
b) De que forma se relaciona com as abordagens tradicionais descritivo/qualitativo e/ou experimental/quantitativo?

A DBR destaca-se por fazer uso de um vasto conjunto de técnicas e métodos de investigação que podem ser comuns às abordagens tradicionais.

Difere da abordagem experimental na medida em que trata de situações reais, complexas e com as limitações e dinâmica inerentes à sua própria realidade.

Existe uma diferença relativamente ao número de variáveis que condicionam a investigação (múltiplas em DBR vs uma na abordagem experimental) e a forma como os investigadores as trabalham. Na abordagem experimental os investigadores tentam controlar a variável em experiências “laboratoriais” através de procedimentos pré-estabelecidos. Na DBR o investigador tenta caracterizar determinada situação através revisões iterativas e flexíveis do “desenho” de investigação.

Outra diferença entre estas duas abordagens assenta no facto de a DBR implicar interacção social, uma vez que ocorre em situação real, ao passo que a abordagem experimental tende a isolar grupos de estudo.

Na investigação experimental, as decisões a tomar no processo de investigação são da inteira responsabilidade do investigador enquanto que na DBR é necessário haver colaboração entre todos os participantes para que se possam experimentar os diferentes “desenhos” ao longo do processo.

c) Que dificuldades antecipam na sua implementação?

Ao enveredarmos pela utilização de uma metodologia baseada em DBR, temos de ter em consideração que:
A DBR requer um envolvimento a longo prazo por parte de todos os participantes, o que poderá significar um aumento dos custos do estudo;

Implica saber/querer/poder trabalhar em equipa “researchers need to be actively involved in a real world design project collaboratively with other participants such as instructional designers, curriculum developers, teachers and evaluators when conducting design research“;
A ausência de “standards” que permitam aferir a pertinência de determinado desenho face aos contextos e tempo disponível para a realização do estudo;

Sendo uma metodologia iterativa, o volume de dados repetidos implica um esforço de análise que por vezes não corresponde às contribuições/resultados obtidos. (too little contribuition and too mutch method);

Pode haver dificuldade em generalizar resultados devido aos contínuos ajustamentos que podem ser feitos durante a implementação dos desenhos bem como identificar as causas que contribuíram para o sucesso dos mesmos.

d) Quais as principais implicações/conclusões?

A DBR parte de situações problemáticas e procura resolve-las através da prática. O investigador surge como alguém que procura, não só perceber, documentar e interpretar determinada situação/contexto, como também alterar e melhorar práticas educativas.

Neste tipo de investigação pretende-se que as conclusões obtidas com o estudo sejam significativas tanto para o investigador como para os seus colaboradores/aplicadores.

Os resultados obtidos são validados através das consequências das experimentações em contexto real dos diferentes desenhos.

Tema 3. A análise de dados


Debate final sobre a discussão de resultados numa investigação e a fiabilidade da investigação.

A discussão deste tópico desenvolveu-se em torno dos seguintes organizadores:
  • Cuidados prévios à realização da entrevista;
  • Cuidados a ter durante a realização da entrevista;
  • Características a possuir por um entrevistador de sucesso;
  • Como ultrapassar entrevistados pouco cooperantes ou muito divergentes;
  • Indicadores/unidades de registo;
  • Como garantir que não estamos a sobrepor a nossa "voz".

A minha participação na discussão ocorreu nos tópicos:

Cuidados a ter durante a realização da entrevista

De acordo com Sawatski, citado por Scanlan (2002), um entrevistador deve:
- Sempre que possível, preparar as suas perguntas antecipadamente.
- Utilizar questões abertas . Questões começadas com “como”, “porquê” ou “o que”, ou que
encorajam o entrevistado a descrever, explicar ou exemplificar algo, têm mais hipóteses de
gerar respostas completas.
- Fazer uma pergunta de cada vez.
- Evitar fazer discursos ou emitir opiniões.
- Lembrar-se que a estrela de uma entrevista bem-sucedida nunca pode ser o entrevistador.
- Deixar as perguntas fazerem o seu trabalho.
- Resistir ao impulso de completar ou antecipar as respostas do entrevistado.
- Gravar e transcrever as entrevistas.
- Estudar entrevistas já publicadas/realizadas sobre a temática a abordar.
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Scanlan, Chip. 2002. Tools of the Trade: The Question. Disponível em http://www.poynter.org/uncategorized/1973/tools-of-the-trade-the-question.

Características a possuir por um entrevistador de sucesso

Em complemento às intervenções dos colegas intervim com o seguinte post:

Após ler e reler os vossos pontos de vista (com os quais não podia estar mais de acordo), apenas me apraz acrescentar que um bom entrevistador, como em tudo na vida, deve ter experiência. Tal como um piloto de linha aérea deverá ter as "horas de voo" suficientes para saber descolar e aterrar um avião e reagir a eventuais problemas, um bom entrevistador deve ter a experiência suficiente para iniciar e concluir (de acordo com os objectivos estipulados) uma entrevista, antevendo e resolvendo as eventuais dificuldades que surjam durante a sua realização.

Por muito muito bem que considere ter gerido a minha entrevista, à luz do saber actual não a faria da mesma forma!

Indicadores/unidades de registo

Em resposta a um post do colega Nuno Lopes sobre aspectos relacionados com a análise/categorização, validação e subsequente subjectividade de resultados, associada à análise qualitativa dos dados:

...talvez se cada um tivesse aplicado a entrevista que criou em grupo, a análise/categorização tivesse sido mais fácil.

Não considero problemático partir de um pré-conceito estabelecido para a criação de uma entrevista: se vamos realizar um estudo, temos que adequar os elementos de recolha ao mesmo e definir previamente o que queremos avaliar. Pré-conceber e/ou planificar fazem parte do processo investigativo.

Quanto à questão da rápida validação inter-codificador v's conhecimentos teoricos muito semelhantes sobre a temática em questão?"

Se a validação apenas depender do grau de conhecimento teórico, todas as análises realizadas neste grupo podem ser consideradas subjectivas, uma vez que, teoricamente, partimos quase todos do mesmo nível de conhecimento - se é que isso é possível de inferir.

A subjectividade "vem à tona" quando se procura, de uma forma forçada, encontrar mais informação para lá daquela que nos é mostrada - o que na minha opinião é uma má prática, uma vez que se inferem resultados baseados em suposições e dados/factos muitas vezes impossíveis de aferir.

A entrevista que realizei foi exactamente o oposto daquilo que esperava: a entrevistada reagiu à entrevista de uma forma completamente diferente daquela que tinha planeado (tinha um pré-conceito), retraiu-se um pouco, foi preciso "puxar por ela" para que dissesse algo mais ( e mesmo assim disse pouco). Não obstante, a análise não foi feita à luz da resposta ideal, nem das minhas expectativas goradas - apenas se baseou nas respostas obtidas e isso não me permitiu "criar" mais nada para lá do que está explícito na transcrição.

Como garantir que não estamos a sobrepor a nossa "voz"

Analisando, com o devido distanciamento, a minha participação neste fórum, considero que a mesma surge um pouco descontextualizada, uma vez que faço referência à dita “sobreposição de voz” durante a fase de recolha e não durante a fase de análise dos dados.

Para além da fase de análise existe outra em que, por vezes, de forma não intencional, acabamos por sobrepor a nossa voz à do entrevistado: a fase de recolha. Segundo Fortin (1999), "O sujeito pode ser influenciado nas suas respostas pela ideia que faz da pertinência da entrevista (...). O respondente pode modificar as suas respostas segundo o responsável pertence ou não ao mesmo grupo social, segundo o que ele disser antes da entrevista, a sua forma forma de colocar as questões e de escutar".

Ainda segundo esta autora: "o enunciado de uma questão, o tom de voz, a expressão facial, a posição corporal são (...) elementos que comunicam mensagens favoráveis ou desfavoráveis aos sujeitos."
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Fortin, Marie-Fabienne, (1999) O Processo de Investigação: Da concepção à realização. Loures: Lusociência.

Tendo feito o devido acompanhamento da totalidade das discussões, expressei a minha opinião sempre que a considerei pertinente e enriquecedora do debate, evitando a repetição de ideias. Nesse sentido, destaco as entradas elaboradas pelos meus colegas que considero melhor traduzirem a minha opinião sobre o assunto em causa.

No fórum “Cuidados prévios à realização da entrevista” destaco a intervenção do colega Alcino Viana, onde resume em quatro tópicos os cuidados a ter na preparação de uma entrevista:
  • Conhecimento do guião (...) fundamental, especialmente nos casos em que o entrevistador não é responsável ou é apenas parcialmente responsável pela sua construção.
  • Escolha e preparação do material de gravação (...) um pequeno gravador de áudio, (...) Bateria carregada, suporte de gravação com espaço suficiente para uma gravação que, por motivos vários, se pode prolongar mais que o inicialmente previsto (…).
  • Local onde vai decorrer a entrevista Idealmente será um sítio com pouco ruído ambiente e não sujeito a interrupções.
  • Agendamento da entrevista Deve permitir que entrevistador e entrevistado disponham efectivamente de tempo para a sua concretização. Se um deles tem um compromisso dentro de 30 ou 40 minutos e apenas dispõe daquele intervalo para a entrevista, está-se a introduzir um factor de pressão absolutamente dispensável.

No fórum “Como ultrapassar entrevistados pouco cooperantes ou muito divergentes”, destaco a entrada realizada pela colega Maria Francisco, onde aponta como estratégia a escolha acertada dos entrevistados e/ou a inclusão de sub-questões abertas, para além das qualidades intrínsecas ao próprio entrevistador.

Em “Methods in educational research” (2006), Lodico, Spaulding e Voegtle, sugerem que conduzir uma boa entrevista requer algumas qualidades, bem como saber usá-las. Entre outros, um dos pontos críticos na condução de uma boa entrevista é a escolha da(s) pessoa(s) certa(s).
As pessoas a entrevistar podem ser observadas e escolhidas e, à semelhança do que aconteceu, com a nossa actividade a escolha não foi aleatória ou pelo menos não era um requisito para que o fosse.
Por vezes mudar as palavras numa questão ou o modo como se a coloca pode fazer toda a diferença. Outra forma de manter o controlo da entrevista será colocar sub-questões abertas e inesperadas que mantenham o entrevistado na expectativa da intenção do entrevistador.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tema 3. A análise de dados

Análise de conteúdo das entrevistas

A análise de conteúdo consiste num “conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção [...] destas mensagens”. (Bardin, citado por Pereira, (sd))

No que respeita à modalidade de análise, fez-se aplicar uma análise de conteúdo de carácter qualitativo, ou seja, visou-se "analisar a presença ou a ausência de uma dada característica do texto (ou de várias características)”.

Assim, e de acordo com as indicações dadas pelo professor no enunciado desta actividade, efectuou-se uma primeira leitura do texto para que pudéssemos tomar contacto com o material a analisar.

Seguidamente iniciou-se a fase de codificação do material, onde se procedeu à transformação dos dados brutos por recorte, classificação, agregação e categorização (Pereira, (sd).

Nesta fase criaram-se as categorias e sub-categorias e identificaram-se as unidades de registo (fragmento que se toma por indicativo de uma característica (Pereira, (sd)) dentro das unidades de contexto (fragmento do texto que engloba a unidade de registo e que permite compreender e situar a unidade de registo no decurso da entrevista (Pereira, (sd)).

grelha_de_analise_octavio

Validação inter-investigadores da análise feita

Numa primeira fase foi realizada uma validação da fidelidade intercodificador - vários analistas debruçando-se sobre o mesmo texto deverão chegar aos mesmos resultados (Pereira, (sd)).

Para poder efectuar parte do trabalho, realizei a validação da grelha de entrevista da colega Alexandra Quitério, que disponibilizei no fórum destinado para o efeito, e a mesma colega realizou a validação da minha entrevista, cuja síntese apresento nas linhas seguintes:

Nota final de Alexandra: Penso que o Octávio e eu temos visões idênticas sobre o mesmo texto, chegando, portanto, aos mesmos resultados (Fidelidade intercodificador), com ligeiras nuances não muito significativas e que se prendem, sobretudo, com a inevitável subjectividade de cada um dos olhares: optaria por uma terminologia mais coerente nas unidades de registo (usando preferencialmente substantivos) e apresentaria de forma mais destacada as 3 dimensões visadas na entrevista.
Tendo sido realizada uma única entrevista, penso que o Octávio procurou o equilíbrio entre a perspectiva global da entrevista e a fragmentação dos dados no decurso da análise. (Pereira, sd)

Da análise e comentários realizados pela colega Alexandra e da minha re-avaliação do documento , surgiu a grelha definitiva de análise da entrevista.
Grelha_revista_Octavio

Tema 2. Métodos de recolha de dados

Elaboração de um guião, por cada equipa, para uma entrevista.

Com base nas seguintes questões de investigação, partimos para a criação do nosso guião de entrevista.
  1. O que pensam esses professores sobre as redes sociais a exemplo do Facebook, Myspace, Hi5, Twitter, etc?
  2. Como é que vêm a sua (hipotética/real) participação numa rede social?
  3. Que expectativas têm sobre o seu uso no ensino?
guiao_entrevista_poirot


Numa fase posterior, partindo dos guiões elaborados em equipa, pretendeu-se a elaboração de um guião de entrevista comum. Esta tarefa, simples no seu planeamento, revelou-se bastante complicada na sua concepção, uma vez que houve um elevado número de intervenções desordenadas que dificultaram um pouco o processo. Felizmente, após alguma confusão lá surgiu o guião final com o qual pudemos realizar as nossas entrevistas.

Realização de entrevistas no terreno

Após toda esta fase de planeamento, chegou a altura de experimentar a sensação de entrevistar alguém. Para realizar esta tarefa fiz uso do guião de entrevista, de uma folha em branco onde ia registando alguns aspectos que considerei mais importantes e, por último, de um gravador MP4, que posteriormente me permitiu proceder à transcrição da entrevista.
transcricao_octavio

sábado, 13 de novembro de 2010

Tema 2. Métodos de recolha de dados

Pesquisa individual sobre os métodos de recolha de dados


O questionário como instrumento de recolha de dados.


O questionário consiste num conjunto ordenado de perguntas, que podem ser respondidas por escrito sem a presença do entrevistador e tem como objectivo a obtenção de dados que permitam aferir as diferentes questões de investigação.

Antes de se enveredar pela construção de instrumento de recolha de dados deste tipo, há que ter em consideração três aspectos fundamentais:
  • o tipo de resposta mais adequado a cada pergunta;
  • o tipo de escala de medida a associar às respostas;
  • a metodologia a utilizar na análise dos dados.

Quais os passos que devem ser seguidos para a elaboração de um questionário?
  1. Estudo preliminar para auxiliar a elaboração do questionário;
  2. Listagem das variáveis de investigação, incluindo as características dos casos;
  3. Especificação do número de perguntas para medir cada uma das variáveis;
  4. Redacção de uma versão inicial para cada pergunta;
  5. Reflexão sobre a natureza da primeira Hipótese Geral, bem como nas variáveis e perguntas a ela associadas (as que tratam de diferenças entre grupos de casos ou as que tratam de relações entre variáveis). Consoante o tipo de Hipótese Geral, há que decidir quais as técnicas e estatísticas adequadas para testar a hipótese, tendo em atenção os pressupostos destas técnicas (que tipo de escala de medida: nominal, ordinal, de intervalo ou de rácio);
  6. Decisão sobre o tipo de resposta desejável para cada pergunta associada à Hipótese Geral;Quantitativas escolhidas pelo respondente a partir de um conjunto de respostas alternativas fornecido pelo autor do questionário.
  7. Definição da Hipótese Operacional;
  8. Elaboração, considerando as perguntas iniciais (e tipos de resposta) associadas com a primeira Hipótese Operacional, da versão final das perguntas a incorporar no questionário;
  9. Definição das instruções de resposta para cada pergunta;
  10. Planeamento das secções, introdução e aspecto do questionário;
  11. Verificação final do documento.

Análise individual ou em equipa da utilização do questionário como método de recolha de dados: análise da dissertação de Neto, C. (2006). O papel da internet no processo de construção do conhecimento.

Foi-nos solicitada a análise da tese tendo como ponto de partida as seguintes questões:

  • A autora apresenta claramente os objectivos de investigação que presidiram à elaboração do questionário?
  • Na dissertação apresentada há indicação dos passos que estiveram subjacentes à construção do questionário?
  • A amostra é claramente identificada?
  • É indicado o método usado na definição da amostra?
  • O questionário usado foi objecto de validação prévia?
  • No capítulo da explicitação da metodologia usada há indicações sobre o modo de tratamento dos dados obtidos com a aplicação do questionário?
    A autora apresenta claramente os objectivos de investigação que presidiram à elaboração do questionário?

    Sim; contudo, considero que o trabalho sairia mais enriquecido se a autora tivesse optado por justificar as razões pelas quais escolheu este método de recolha de dados e realizasse uma descrição do mesmo, enunciando os objectivos por detrás de cada questão.

    Na dissertação apresentada há indicação dos passos que estiveram subjacentes à construção do questionário?

    Embora faça referência a dois questionários destinados a públicos diferentes, constituídos por "perguntas fechadas e por questões de escolha múltipla", a autora não menciona o número de questões de um tipo ou outro nem a a sua pertinência para o estudo. Também não é feita referência à operacionalização de variáveis, nem a que questões se pretende dar resposta com os diferentes pontos do questionário.

    A amostra é claramente identificada?

    Considero que a amostra poderia ter sido melhor identificada. Por exemplo, ficamos sem saber quantos questionários foram aplicados a alunos de escolas do interior e quantos foram aplicados a alunos de escolas do litoral do país, de modo a permitir efectuar o estudo comparativo entre as duas realidades. Também a forma como a informação vai sendo apresentada parece um pouco aleatória, dispersando dados referentes a um mesmo aspecto, perturbando assim um processo que se pretende objectivo.

    É indicado o método usado na definição da amostra?

    É explicada a forma como foi seleccionada a amostra, sem que seja identificado o método utilizado e o tipo de amostra.

    Este ponto é um pouco ambíguo, uma vez que a autora começa por apresentar escolas dos distritos do Porto e de Bragança, "para permitir uma comparação dos resultados entre o litoral e o interior" e de seguida apresenta como critério de selecção das escolas a "existência de professores aí colocados que mostraram interesse em colaborar na aplicação dos inquéritos junto dos alunos e colegas (...)".

    Não especifica o número de alunos de cada escola ou de cada zona geográfica, nem a percentagem que estes alunos representam na população alvo - alunos do 3º ciclo.

    Por outro lado, existe uma incongruência entre o título do estudo, que se refere aos alunos do 3º Ciclo (Uma perspectiva crítica sobre a relação dos alunos do 3º Ciclo com a Internet), e a amostra seleccionada, que exclui os alunos do 7º ano (ou seja, exclui cerca de um terço dos alunos do 3º Ciclo), o que invalida uma generalização dos resultados para o grupo comummente conhecido como 3º Ciclo.

    O questionário usado foi objecto de validação prévia?

    Foi efectuada a apreciação de uma primeira versão do questionário por parte de 20 alunos e 10 professores. Contudo, foram realizadas alterações "de forma e conteúdo", não havendo referência a nova apreciação. Penso que, considerando a existência de alterações no conteúdo do questionário, este deveria ser novamente sujeito a apreciação. Saliento que não é especificado a que questionário (professores ou alunos?) se refere a autora quando diz ter modificado as questões 11 e 12.

    Também não é feita a caracterização do grupo utilizado para a validação do questionário (são alunos de escolas do interior ou do litoral? Quantos alunos são de escolas do interior e quantos são de escolas do litoral? ), pelo que não sabemos se se trata de um grupo representativo da amostra, e como tal, fidedigno para a validação do questionário.

    No capítulo da explicitação da metodologia usada há indicações sobre o modo de tratamento dos dados obtidos com a aplicação do questionário?

    Há referência à análise estatística dos dados, com recurso ao programa informático Excel (ano?), sendo os resultados apresentados em valores percentuais.

    Pesquisa individual (ou em equipa) sobre a utilização de entrevistas e sobre as técnicas de entrevista.


    No que concerne à sua estruturação, “as entrevistas variam em função de dois parâmetros: o grau de liberdade deixado aos interlocutores e o grau de profundidade da investigação” (Fortin, 1999). Podemos diferenciar três tipos de entrevista: a entrevista estruturada, a entrevista não estruturada e a entrevista semi-estruturada.

    Entrevista estruturada

    Na entrevista estruturada o investigador controla o conteúdo e o desenvolvimento da entrevista, bem como a análise e a interpretação da medida.

    As questões a colocar são de carácter fechado, sendo a sua formulação e sequência previamente determinadas. Uma vez redigido o guião da entrevista, um perito deverá examinar o seu método e conteúdo.

    Neste tipo de entrevista, os entrevistadores devem ser treinados e as questões sujeitas a um pré-teste cujo objectivo é evidenciar eventuais ambiguidades de redacção, problemas de formulação, sequências e formas de colocar as questões.

    Há que ter especial atenção aos enviesamentos verbais e não verbais que possam surgir quer por acção dos entrevistadores, quer pela acção do próprio contexto em que a entrevista decorre.

    "A entrevista é apresentada da mesma forma a todos os respondentes. A entrevista uniformizada permite comparações entre os respondentes e denota uma maior fidelidade do que as formas de entrevistas menos estruturadas." (Fortin, 1999)

    A utilização deste tipo de entrevista pressupõe que, para além do conhecimento claro das dimensões a abordar, haja um conhecimento prévio da população inquirida ao nível linguístico e do grau de conhecimento sobre a temática a trabalhar.

    Entrevista semi-estruturada

    Nesta forma de entrevista, o entrevistador apresenta a lista de temas que pretende abordar e que servirão de ponto de partida para a formulação das questões a realizar. Outra característica desta estrutura é a existência de um guião previamente preparado que serve de eixo orientador ao desenvolvimento da entrevista.

    A ordem pela qual os temas podem ser abordados é livre. Não obstante, se o entrevistado não abordar um ou vários temas do esquema, o entrevistador deve propor-lhe o tema uma vez que “o objectivo visado é que no fim da entrevista todos os temas propostos tenham sido cobertos (Wilson in Fortin, 1999).

    Entrevista não-estruturada

    Na entrevista não estruturada não há uma pré-determinação da sequência e da formulação das questões, estando assim à livre disposição do entrevistador. O entrevistador promove, encoraja e orienta a participação do sujeito sem que seja necessário efectuar a abordagem a todos os temas.

    Este tipo de entrevista é utilizado maioritariamente em estudos exploratórios, quando se procura a compreensão da significação dada a qualquer acontecimento ou fenómeno.

    “Este tipo de entrevista é um instrumento privilegiado no quadro de uma variedade de métodos de investigação qualitativa“ (Fortin, 1999). Também pode ser utilizada como etapa antecedente à elaboração de outros instrumentos de medida no processo de investigação.

    Neste método de recolha, o entrevistador propõe um tema ao entrevistado e desenvolve uma conversa acerca deste. Importa ter em consideração a noção de ambiguidade e a sua preponderância neste tipo de entrevista, uma vez que o entrevistado irá, após interpretar o tema a partir do seu quadro de referência, desenvolver o seu próprio raciocínio partindo de um tema geral.

    A decisão sobre o tipo de entrevista a utilizar está dependente do tipo de investigação, dos objectivos definidos, da profundidade do assunto em causa e do tempo que se pode despender com essa tarefa.


    Tanto a entrevista como o questionário permitem a colheita de informações apoiadas “nos testemunhos dos sujeitos, não tendo (…) o investigador acesso senão ao material que o participante consente em fornecer-lhe”.

    As entrevistas podem ser realizadas face-a-face ou por telefone/skype/msn/etc.. Quanto aos questionários, para além da aplicação face-a-face, é possível proceder à sua realização via correio (físico e electrónico), em mão ou através de aplicações electrónicas, podendo dirigir-se tanto a grupos como a indivíduos.

    Trochim (2006) descreve de uma forma sintética as diferentes formas de aplicação de entrevista e questionário.

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    Fortin, Marie-Fabienne, O Processo de Investigação: Da concepção à realização. Loures: Lusociência, 1999. ISBN: 972-8383-10-X.
    Trochim, William M.K., Research Methods Knowledge Base. Web Center for Social Research Methods, 2006. Disponível em http://www.socialresearchmethods.net/kb/ (acedido a 21-11-2010).

    domingo, 7 de novembro de 2010

    Tema 1. O processo de investigação

    Planear uma investigação

    Finda a primeira actividade, resta-me tornar pública a minha reflexão sobre o trabalho e as aprendizagens realizadas.

    No final desta unidade concluo que:

    1. A investigação educacional faz-se valer de três paradigmas de investigação:

    • o paradigma positivista ou normativo, pautado por um carácter racionalista e quantitativo, assume a existência de uma realidade unívoca e independente do investigador. De acordo com este paradigma procura-se a reflexão, explicação, descrição e/ou previsão, assentes numa amostra significativa de elevado grau de confiança e que permita, através de resultados obtidos, partir para uma generalização.

    • o paradigma interpretativo, baseado no naturalismo e nos processos qualitativos, em que a investigação assenta numa abordagem de carácter interpretativo de um processo ou fenómeno concretos sem ter como objectivo a generalização das conclusões. De acordo com esta corrente o investigador assume uma postura que lhe permite adaptar a investigação a novas situações.

    • o paradigma sociocrítico, no qual a investigação ocorre em pequena escala, assume um carácter prático, orientado para a acção e onde o investigador se constitui como parte integrante da investigação.

    2. Podem-se definir dois métodos em investigação educacional:

    • o método quantitativo, cujo objectivo principal é a generalização dos resultados a uma determinada população. Este método está ligado à investigação experimental e pressupõe “a observação de fenómenos, a formulação de hipóteses, o controle de variáveis, a selecção aleatória dos sujeitos da investigação (amostragem), a verificação ou rejeição das hipóteses mediante uma recolha rigorosa de dados [que é] sujeita a análise estatística e [à] utilização de modelos matemáticos para testar as hipóteses”(2). A investigação quantitativa implica um plano de investigação estruturado, no qual os objectivos e os procedimentos estão pormenorizadamente indicados;

    • o método qualitativo, no qual “o investigador desenvolve [os] conceitos e tenta chegar à compreensão dos fenómenos a partir de padrões provenientes de uma recolha de dados. (…) É um método descritivo e as conclusões resultam directamente dos dados recolhidos, tais como transcrições de entrevistas, documentos escritos, registos. (…) As técnicas mais usadas em investigação qualitativa são a observação participante, a entrevista em profundidade e a análise documental.”(2)

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    (1)Alves, A. (2007). E-Portefólio: Um estudo de caso

    (2)Wiki do grupo Poirot acedida em http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/ouwiki/view.php?id=601881&group=40781